O Velho Testamento compreende um espaço de tempo de milhares anos, pois é o registro do que ocorreu entre a criação de todas as coisas (Gn 1:1) até última profecia a respeito da vinda do Messias (Ml 4:2). Neste caminhar da humanidade podemos destacar os seguintes fatos históricos que são importantes na história do povo de Israel e sua relação com a revelação do Novo Testamento.
O Velho Testamento logo em seu início nos apresenta elohim (~yhla) criando todas as coisas. O registro da criação é um dos argumentos das Escrituras para afirmar o direito que Deus tem sobre tudo que nos rodeia, e sobre nós mesmos. O texto de Gênesis desconhece a teoria da evolução. Para o escritor sagrado, tudo quando existe é obra de um único Deus (~yhla) pessoal que, em seu infinito poder e graça, comunica a realidade de sua existência aos homens, criados à sua imagem e semelhança.
2. O Pacto das Obras
Tendo criado os seres humanos à sua imagem e semelhança (Gn 1:26), o Senhor Deus (~yhla hwhy) estabelece com estes um pacto de obras (Gn 2:16,17), através do qual Ele promete a perpetuidade da vida edêmica através da obediência perfeita de nossos primeiros pais. Que as palavras de Gn 2:16,17 são palavras pactuais, isto nós sabemos pois nelas encontramos os seguintes elementos:
a. Duas partes envolvidas: estas partes envolvidas logicamente são a humanidade, representada em Adão, e Deus, como criador e soberano sobre todas as coisas.
b. Uma promessa: a promessa é a vida eterna
c. Uma condição: plena obediência no ato de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal.
d. Uma sentença de juízo: a morte
Neste pacto Deus não propôs nada que estivesse além daquilo que Adão e Eva poderiam realizar. Muito pelo contrário, Deus concedeu a eles todos os meios e condições para que triunfassem sobre a prova. Vejamos:
a. Eles foram criados seres racionais (Gn 1:26; 2:16,17), portanto entenderam a proposta de Deus.
b. Foram criados positivamente retos (Ec 7:29), portanto poderiam praticar o bem.
c. Possuíam livre arbítrio o que tornava cada ação uma livre expressão da vontade de cada um.
d. Tinham uma excelente motivação material para não desobedecerem: a vida eterna
e. Tinham uma infinita motivação espiritual para não desobedecerem: a comunhão com Deus
f. Possuíam abundância de alimento.
g. Foram orientados enfaticamente sobre o perigo da desobediência.
Mesmo diante de todas as graças que Deus concedeu aos nossos primeiros pais, eles desobedeceram a lei divina e ficaram sob o domínio da morte. De fato, eles ficaram sob o julgo da morte física, espiritual e eterna. E as conseqüências de tal rebelião se estenderam também a toda descendência deles (Gn 4; Rm 3).
4. O Anúncio do Pacto da Redenção
Como conseqüência da quebra da lei divina, o que caberia ao ser humano instantaneamente era tão somente o justo juízo de Deus. Entretanto, por mais paradoxal que seja, aquele mesmo que fora o agente da tentação recebe de Deus a demonstração da Sua graça à humanidade caída, prometendo-lhe um salvador que viria para esmagar-lhe a cabeça (Gn 3:15). Aí, então, temos o primeiro registro do pacto da redenção, a promessa de um salvador. E tendo feito esta promessa, o próprio Deus derrama o sangue de um animal e faz para Adão e Eva vestimentas para que se cobrissem. E, aí, então, temos o princípio de cobertura de pecados por morte substitutiva, que norteará todo o Velho Testamento.
4. O Chamado de Noé
Com o crescimento do pecado, Deus separa para si Noé (Gn 6) e salva sua família através de uma arca. Neste ato salvífico Deus confirma o pacto da graça (Gn 9) e à humanidade é dada a continuidade de existência.
5. O Chamado de Abrão
Da linhagem de Sem (Gn 11:10-26), filho de noé, Abrão recebe o chamado de Deus para ir à uma terra que lhe mostraria e na qual ele e sua descendência seriam abençoados ricamente (Gn 12).
De Abraão nasce Isaque, de Isaque nasce Jacó.
Até que Jacó viesse a se converter muitas tristezas sua família teria que suportar. Mas no encontro que teve com Deus no val de Jaboque, seu nome foi mudado para Israel e sua vida transformada. De seus casamentos Jacó, teve doze filhos e destes vieram as doze tribos (Gn 49), que seriam chamadas mais à frente de “povo de Israel”.
Avançado em dias, Israel tinha José como filho predileto. Isto causou tanto ódio a seus outros filhos que José foi vendido, por estes, como escravo. Contudo, José tudo sofreu pacientemente até que veio a ser uma grande autoridade no Egito e meio de livramento à sua família que passava grandes necessidades. Através de José, a família toda de Israel foi para o Egito, no qual por anos gozou de toda a consideração das autoridades daquela nação estrangeira (Gn 37 – 50).
7. O Chamado de Moisés
Após a morte de José subiu ao trono egípcio um faraó que começou a explorar os israelitas. Na aflição o povo clama por libertação, e Deus chama Moisés para liberta-lo (Ex 3). Este Moisés, embora viver na corte egípcia como filho da filha do faraó, era na verdade um israelita que pela providência divina havia sido poupado da morte, quando o faraó tinha decretado a morte das crianças hebréias.
Este Moisés, juntamente com seu irmão Arão, apresentam-se a faraó; contudo, mesmo diante de cada praga, o líder egípcio fica cada vez mais duro em seu coração. Com a morte dos primogênitos o povo de Israel e liberado (Ex 12). E isto o povo faz após realizar a primeira páscoa, na qual um cordeiro sem defeito e sem mácula é morto, assado e comido pelas famílias hebréias e seu sangue é posto nos umbrais das portas.
Com Moisés o povo atravessa o Mar Vermelho e caminha rumo a terra que Deus havia prometido a Abraão.
AS
| | | Aviso | O | O | Produziu | Os | |
| Água do | 7:14-24 | Sim | Os | Coração dele se endureceu - 7:22 | Sim - 7:20-21 | Sim | Ficou 7 |
| Rãs | 8:1-15 | Sim | Pta e Heca - | Endureceu o | Sim - 8:6 | Sim | Fizeram de |
| Piolhos | 8:16-19 | Não | Leb - | Coração dele se endureceu - 8:19 | Sim - 8:17 | Não | |
| Moscas | 8:20-32 | Sim | Quepara - deus-besouro | Endureceu | Não 8:22-23 | Não | |
| Pestilência Gravíssima | 9:1-7 | Sim | Seráfis (Ápis) – | O | Não 9:4 e 7 | Não | Os |
| Sarna | 9:8-12 | Não | Neite - deusa e | O | Não - 9:11 | Não | |
| Saraiva | 9:13-35 | Sim | Osiris - | O | | Não | |
| Gafanhotos | 10:1-20 | Sim | Xu - Sebeque - deus-inseto | O | Não - 10:6 | Não | |
| Trevas | 10:21-23 | Não | Rá - deus-sol. | O | Não - 10:23 | Não | |
| Morte do | 11-12 | Não | Jeová | Pela | Aqueles | Não puderam | |
8. O Chamado de Josué
Com a morte de Moisés Deus chama Josué para substituí-lo (Js1). Muitas batalhas são travadas, mas o povo conquista a terra prometida a seus pais (Js 24:14-33).
9. O tempo dos juízes
Shoftim ou Juízes (em hebraico: שֹּׁפְטִים) do Velho Testamento que trata da história dos israelitas entre a conquista da terra de Canaã no final da vida de Josué até o estabelecimento do primeiro reinado. Escrito originalmente em hebraico, sua autoria é até hoje incerta, embora alguns afirmem que poderia ter sido profeta Samuel, durante o reinado de Saul, em torno de 1050 a.C..
Juízes retrata um período de aproximadamente três séculos em que os israelitas, encontrando-se na terra prometida, desviaram-se dos mandamentos divinos praticando a idolatria e que por isso chegaram a ser derrotados pelas nações vizinhas ou próximas que passavam a oprimir o povo. Então os israelitas arrependiam-se e pediam a ajuda de Deus. Surgiam assim líderes heróicos para resgatarem o povo de Israel dos inimigos e restabelecerem a obediência à lei mosaica.
O primeiro juiz teria sido Otniel, o qual teria libertado os israelitas do rei Cusã-Risataim. Após a morte de Otniel, os israelitas novamente afastam-se dos mandamentos de Deus e são dominados pelos moabitas. Novamente é levantado um novo juiz, Eúde que livra o povo de seus opressores. Assim, seguem novos períodos sob a liderança dos juízes em que, repetidamente, os israelitas voltam a adorar deuses pagãos, são dominados por outros povos, arrependem-se e são mais uma vez libertos. O último juiz da história dos israelitas foi Sansão, o qual possuía uma força excepcional e teria liderado o povo contra os filisteus, mas foi traído por Dalila ao lhe revelar que o segredo de sua força encontrava-se nos seus cabelos. Entre alguns juízes durante essa época que mais se destacam no livro estão Débora, Gideão e Sansão.
O livro termina relatando a decadência moral dos israelitas, assim concluindo no verso 6 do caítulo 17: Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto.
Cronologicamente pode-se mencionar os seguintes líderes que teriam julgado Israel, com suas respectivas tribos de origem e referências bíblicas.
| JUÍZES DE ISRAEL | ||
| Juíz | Origem | Texto Bíblico |
| Judá | Jz 1:11-15; Jz 3:7-11 | |
| Benjamim | Jz 3:12-30; Jz 4:1 | |
| desconhecido a origem | Jz 3:31; Jz 5:6 | |
| Efraim | Jz 4:1; Jz 5:31 | |
| Manassés | Jz 6:1-8; Jz 6:32 | |
| Manassés | Jz 8:33-9:57 | |
| Issacar | Jz 10:1-2 | |
| Manassés | Jz 10:3-5 | |
| Manassés | Jz 10:6-12; Jz 7 | |
| Judá ou Zebulom | Jz 12:8-9 | |
| Zebulom | Jz 12:11-12 | |
| Efraim | Jz 12:13-15 | |
| Dã | Jz 13:1-16 e Jz 31 | |
Vendo Israel que os povos ao seu redor possuíam reis, pedem a Samuel que lhes dê um rei. Deus se mostra desgostoso com o povo pois tal pedido era a prova que os israelitas não estavam satisfeitos com a teocracia. Saul então é o escolhido (I Sm 10). Porém, sua personalidade instável, ciúme excessivo quanto ao trato do povo a favor de Davi e sua deliberada desobediência a Deus fizeram com este primeiro perdesse o seu reinado para o jovem Davi (I Sm 16).
11. O Chamado de Davi
Com a morte de Saul, Davi reina em Israel. Seu reinado é próspero e os inimigos dos israelitas são postos longe dos muros de Jerusalém. A construção um templo para YAHWEH (hwhy) é dado a seu filho Salomão (I Re 1:11-39), uma vez que Davi havia derramado muito sangue em seu reinado.
Entretanto, antes mesmo de Davi partir, Deus lhe faz a promessa de que nunca lhe faltaria um sucessor em seu trono e que seu reinado seria eterno (II Sm 7:12-16).
12. O Chamado de Salomão
Às portas da morte de Davi, Salomão já experimenta as lutas políticas próprias da monarquia. Seu irmão Adonias (I Re 1:5-10) usurpa o trono; todavia, Nata e Bate-seba advogam a favor de Salomão (I Re 1:11-31) e Davi ordena a Zadoque (o sacerdote) e Natã (o profeta) que proclamem a Salomão como rei sobre Israel. E assim é feito (I Re 1:32-40).
13. A Divisão do reino
Com a proximidade da morte de Salomão, mais uma vês o reinado sofre abalo e cisão. O filho de Salomão, Roboão, sobe ao trono, mas mostra-se desqualificado para tal posto de liderança. Nisto, Jeroboão (filho de Nebate, eframita de Zeredá, servo de Salomão – I Re 11:26-40) levantou-se contra a posição de Roboão e dez tribos seguem-no (I Re 12:12-20).
Com isto a monarquia judaica se divide:
a. Reino de Judá: sob a liderança de Roboão e tendo como capital Jerusalém.
b. Reino de Israel: sob a liderança de Jeroboão e tendo como capital Samaria.
14. O Exílio
Pelos muitos pecados dos reinos do norte (reino de Israel) e do sul (Reino de Judá), o povo judeu foi para o cativeiro.
O reino do Norte foi para exílio assírio no ano 722 a.C. e o reino do sul foi para o cativeiro babilônico em 587 a.C.
Contudo, mesmo diante da término da monarquia judaica; sempre o povo de Israel acalentou em seu coração a esperança que um filho de Davi novamente reinaria em Jerusalém e traria à nação judaica os tempo áureos de outrora.
14. O Retorno Para a Palestina
Tendo purificado o povo de Israel da idolatria por meio do cativeiro (Dn 3), Deus levanta Ciro (o medo-persa) para repatriar seu povo à terra prometida. Para a reconstrução da cidade e fortalecimento da fé, Deus envia Neemias e Esdras (Ne 1).
15. A última Profecia
Com Malaquias ouvimos a última profecia com respeito à vinda do Messias (Ml 4:5,6). A revelação da velha dispensação está selada e o povo instruído quanto a vindo do Filho de Davi, o Messias.
| Reino Hebraico Unido: 1102 – | |||||
| Saul (40) - Davi (40) - Salomão (40) | |||||
| Reino Hebraico Dividido | |||||
| Reino de Judá | | Reino de Israel | |||
| Roboão | 17 | Profetas do V. T. | Jerobão | 22 | |
| Abias | 3 | Judá | Israel | Nadabe | 2 |
| Asa | 41 | | | Baasa | 24 |
| Josafá | 25 | Elá | 2 | ||
| Josafá | 8 | Zinri | 7 dias | ||
| Acazias | 1 | Onri | 12 | ||
| Atalia | 6 | Elias | Acabe | 22 | |
| Joás | 40 | Eliseu | Acazias | 2 | |
| Amazias | 29 | Obadias | | Josafá | 12 |
| Uzias | 52 | Isaías | Jeú | 28 | |
| Jotão | 16 | Miquéias | Jeoacaz | 17 | |
| Acaz | 16 | | Jonas | Joás | 16 |
| Ezequias | 29 | Oséias | Jeroboão II | 41 | |
| Judá Só | 135 anos | Amós | Zacarias | 6 meses | |
| Manassés | 55 | | Salum | 1 mês | |
| Amom | 2 | Menaém | 10 | ||
| Josias | 31 | Pecaías | 2 | ||
| Jeocaz | 3 meses | Peca | 20 | ||
| Jeoaquim | 11 | Jeremias | Oséias | 9 | |
| Zoaquim | 3 meses | Naum | Cativeiro Assírio | ||
| Zedequeias | 11 | Sofonias Habacuque | | ||
| Cativeiro Babilônico | | ||||
| Jerusalém Destruída | Daniel e Ezequiel | ||||
| Restauração (147 anos) | | ||||
| Zorobabel | | ||||
| Esdras | | ||||
| Neemias | | ||||
| | Ageu | ||||
| Zacarias | |||||
| Malaquias | |||||
| Entre Os Testamentos | | ||||

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